Como cruzar a Bahía Azul e chegar à Ushuaia

Almoçamos e partimos do YPF (Maior rede de posto da Argentina)  de Rio Gallegos rumo a Ushuaia.  Além da duração da  travessia da Bahía Azul de balsa (Cruce de Primeira Angostura), existem muitas variáveis até chegar em Ushuaia. Isso dificulta o cálculo do tempo a ser percorrido. Clima, condições da via, imigração etc. O Google Maps indicou 8h para o trajeto de 562 km.  Depois de uma hora de viagem chegamos no Passo de Integración Austral (Fronteira). Encostamos o carro no estacionamento mal sinalizado, estava um vento fortíssimo, corremos e entramos.

Na imigração 

Em um único prédio fizemos a saída da Argentina e entrada no Chile. Diferente dos outros passos que possuem dois locais, um para cada nacionalidade. No guichê Argentino carimbaram a nossa saída e nos liberaram da Aduana e declaração de bens, pois somos Brasileiros. Os Policiais (PDI – Polícia de Investigaciones de Chile) não foram dos mais simpáticos. Eu, que falo muito, optei por ficar quieto e não puxar assunto com eles. São 3 passos para imigrar no Chile.

  • Primeiro é a verificação de documentos. Estávamos com passaporte. Fizeram poucas perguntas. Falamos que o destino final era Ushuaia e carimbaram a nossa entrada.
  • Segundo é a Aduana. Ali somente o motorista do carro precisa ficar na fila e apresentar o documento (DUT). O veículo deve estar em seu nome ou ter autorização do proprietário ou empresa de locação.  Nessa etapa é obrigatório apresentar o seguro Carta Verde.
  • Terceiro e último passo é a declaração da inspeção sanitária que todos devem fazer. O Chile leva muito a sério esta etapa. O país é livre de pragas. Trabalham duro para ter uma boa qualificação mundial e ganhar espaço na exportação de alimentos. Se declarar que não possui produtos de origem animal e vegetal no carro é bom ser verdade. Se encontrarem algo você  pode pagar uma multa bem cara, passar vergonha e perder um bom tempo parado. Pode até ter a sua autorização de entrada no país negada, se o delito for considerado grave.
Inspeção Sanitária

Voltei para o estacionamento preocupado, declarei que não tinha nada. Abri a cooler e já encontrei uma manteiga que ficou na primeira lixeira, por ali mesmo. Antes da entrada tinha um lixo com muitas comidas de outros viajantes. Decidimos deixar um maço pequeno de rúcula (Aquelas lavadas embaladas do Carrefour), queijo processado que estavam embalados a vácuo, iogurte industrializado lacrado e pão francês. Isso era o que tínhamos de mais natural para comer no trajeto para Ushuaia além de bolachas e tranqueiras.

Coloquei o carro na fila de inspeção, desci e já abri tudo, apontei para onde estava a comida. Usei a técnica da inocência e sinceridade. O Policial assustou com tanta bagagem e perguntou o que tanto levávamos e expliquei sobre a expedição. Abri o Cooler, a sacola de industrializados. Sempre procuro facilitar o trabalho deles, falar em espanhol e ajudar no processo. Ele pegou a rúcula e o queijo na mão, me adiantei e perguntei, quer que eu jogue isso fora? Ele sabia que eu não teria muitas oportunidades de achar uma empanada no caminho, imaginei! Então ele fechou o cooler e nos liberou, não tínhamos nenhuma carne ou fruta.

Este cara foi legal, mais não foi sempre assim, em outras fronteiras fui obrigado a me desfazer de tudo! Depois de ter vivenciado outras inspeções e policiais diferentes recomendo não arriscar. Passe sem nada mesmo, ali foi nossa primeira experiência, depois descobrimos que o assunto era sério de verdade. Ouvimos um relato de uma pessoa que perdeu 500 reais por causa de uma maçã! Depois disso comíamos tudo antes rsrsrs.

Cruce de Primeira Angostura

O cenário mudou, a pista tem as faixas laterais amarelas, bem diferente das rodovias argentinas e brasileiras. O tapete é bom nesse trecho até a Bahía azul onde pegamos o Cruce de Primeira Angostura.

O trajeto foi de aproximadamente 55km pelas rutas 255 e 257. Eu Já tinha lido no site oficial dos transbordadores (balsa) que a travessia dependia do vento e que o serviço poderia ser interrompido a qualquer momento.

Chegamos, encostamos na fila. Quando abri a porta do carro e ela quase foi arrancada. A Débora não consegui fechar a dela por causa do vento.

Enfim corremos para a beira porque tinha acabado de chegar uma balsa. Depois de 3 manobras e tentativas desceu a rampa e rapidamente os veículos saíram. O transbordador ficou forçando os propulsores para manter aquela posição. Foi difícil de ancorar, as ondas quebravam na lateral, o capitão da embarcação era muito bom.

A empresa que faz o transporte se chama “Transbordadora Austral Broom” e contam com 3 balsas que operam naquele ponto. Pionero, Patagonia e Fueguino.

Começamos a comer areia e fiquei com dó da câmera. Corremos para um café que tinha ali ao lado. A porta estava lotada de adesivos de expedições na porta.

Na Balsa

Chegou a nossa vez, nós fomos na Pionero com capacidade para 250 passageiros, 66 carros e 10 caminhões de 18m. Pra quem gosta de cheiro de gasolina e diesel a máquina é linda, eu adoro!


Fiquei observando todo o trabalho da tripulação, existiam muitos componentes e botões com inscrições chinesas. Não é obrigatório ficar parado ou sentado, dá para subir e ver a torre e o pessoal operando.

Ficar no carro é perigoso e proibido! Se uma carreta virar você é esmagado!

O pagamento é feito dentro da embarcação, tem um caixa que aceita pesos chilenos ($15.000 – Dez 2016), Argentinos ou Dólares.

Depois de pagar, subi ao convés. A Débora estava já molhada, mas firme fazendo imagens e fotos.

Seguindo Viagem para ushuaia

Ainda faltava 442km, aproximadamente 160km para a fronteira do chile com argentina. Como a Débora disse no post anterior, a ilha é dividida entre os dois países.

Esse trecho é o que mais venta em toda a viagem. Há muitas placas de sinalização, pessoas tinham nos advertido que é perigoso capotar o carro. Prosseguir com cautela é importante nesse trecho, vimos um carro compacto ser lançado para o acostamento.

Depois de alguns KM na ruta 257 vai ter um acesso indicando y-79 San Sebastian, que é a fronteira Argentina. Fiquei na dúvida, a saída era de rípio e Google Maps indica seguir pela 257 até a fronteira. Rodei alguns quilômetros até Serro Sombrero, tomei informações no posto da cidade. Um chileno que falava enrolado me alertou sobre a 257. O trecho de rípio é praticamente o dobro do que pela y-79. Da cidade você pega a y-79 também. O acesso de que falei anteriormente não é asfaltado só para te obrigar a passar pela “mini city”. Lógico, a ideia é que você consuma alguma coisa ou gasolina!

A dica é abastecer já na Argentina, praticamente um terço mais em conta. O Maps vai indicar o caminho pela 257 que é uma rodovia nacional e 10km mais perto. Se observar no mapa as rutas são paralelas. Minha indicação já é pegar o primeiro acesso de rípio. É pequeno e já vira asfalto logo, é desnecessário rodar até a cidade.

O caminho é puro deserto, não sei como os carneiros Fueguinos sobrevivem naquele local. Engraçado que as fazendas não têm divisas tão claras. Os argentinos pintam uma faixa azul nas costas dos peludos para diferenciar dos amigos chilenos.

Encontramos vacas também!

Voltando pra Argentina

No passo San Sebastian (lado chileno) fizemos a saída do Chile. Estava super conturbada com uma excursão de judeus, consegui falar com um guarda e ele nos passou na frente.

Entramos no carro e prosseguimos por volta de 10km de rípio até o passo Argentino. Lá fizemos novamente as 3 etapas. Logo cruzando recomendo abastecer no YPF a esquerda, o preço era aproximadamente R$ 2,00 (Dezembro 2016).

De San Sebastian à Ushuaia você vai ter pela frente 282km e a única cidade grande pelo caminho é Rio Grande. É a cidade mais populosa e economicamente desenvolvida da Terra Del Fuego.  Pra quem gosta de pescar é só chegar na cidade e tirar a licença em qualquer loja que vende coisas para camping e desfrutar do famoso circuito de pesca de trutas da região. É também a cidade industrial mais austral do planeta.

Dali pra frente a paisagem muda, até Ushuaia cresce o número de pinheiros e árvores, mananciais e zonas montanhosas, os últimos 60km de rodovia são bem sinuosos, tipo serra mesmo.

Chegamos na cidade mais austral às 23h, praticamente noite. Nesse dia o sol se escondeu perto das 22h (Dezembro) então viajamos praticamente todo o trecho com luz do dia. A cidade estava super movimentada, os restaurantes abertos, mas estávamos tão cansados que corremos para o nosso hotel: Los Ñires.

Bom, chega de rodovias e estradas! Nos próximos posts você vai descobrir um pouco sobre a Tierra Del Fin Del Mundo, Ushuaia.

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