Passando perrengue em El Calafate

El Calafate – Primeiras Impressões

El Calafate é uma cidade que me surpreendeu bastante pois eu esperava encontrar uma vila bem pequena e com pouco comércio. Quando chegamos vimos uma cidade bonita com Belo Portal e bem turística. Ela possui uma movimentada Avenida Principal com muitos comércios e restaurantes. Também tem vários hotéis e opções de hospedagem.

Chegamos da cidade e fomos direto para o hotel, guardamos nossas coisas e saímos para procurar um lugar para jantar. As lojas ficam abertas até às 22h. Vimos algumas opções por indicação da recepção do hotel, mas chegando no restaurante não gostamos da cara então recorremos ao velho amigo Trip advisor e escolhemos um ótimo lugar para comer. O restaurante chama-se El Bodegon del Cordero (veja o tripadvisor aqui) O Tiago pediu carneiro assado (e omeu quase tudo antes de tirar a foto, kkk) e eu escolhi o Ojo de bife ao disco (o disco é uma panela tipo frigideira). As duas porções eram bem generosos e comemos muito!

Retornarmos para o hotel e vimos uma grande fila de carros esperando para abastecer no posto. Pensamos “deve ter uma promoção muito boa de combustível!” mas não era nada disso e só fomos descobrir no outro dia.

Visitando o Glaciar Perito Moreno (tudo certo, por enquanto kkkk)

Arrumamos nossas coisas, fizemos o check-out no hotel e fomos para o parque nacional aonde fica o Glaciar Perito Moreno (motivo que nos fez escolher a parada de El Calafate).

Passamos do ladinho do Lago Viedma, que tem uma cor deslumbrante. Um beleza natural que el calafate ganhou.

A estrada é toda asfaltada passa beirando lagos e montanhas. É muito bonita! Vimos várias vans e ônibus que levam os turistas até o parque.

Na entrada fomos muito bem recebidos por um guarda-parque atencioso que nos vendeu as entradas por AR$250,00 cada. Você nem precisa descer do carro.

Seguimos de carro passando pelos miradores até chegar a parte principal do glacial, onde você encontra passarelas que permitem a visão do glacial de vários ângulos. Se não me engano são três caminhos. Você com certeza vai gastar algumas horinhas para apreciar tudo o que o parque oferece.

Leve seu lanche. Se você der sorte, como nós, vai conseguir ver algum pedaço da geleira caindo. O barulho do gelo quebrando é bem alto. Sei que não é nada legal ver a geleiras derreterem por causa do aquecimento global, mas com certeza é uma experiência única. O gelo no Glacial tem mais de 70 metros de altura (enorme!). Nesse dia a temperatura era de 6 graus. Fez um dia bonito e ensolarado.

Mais informações do Parque

A geleira de El Calafate é uma das mais importantes reservas de água doce do planeta e pertence ao Parque Nacional Los Glaciares. A entrada no Parque custa 250 pesos pra quem mora no Mercosul, senão seriam 500! A região das geleiras possui acesso de carro e acessibilidade para cadeira de rodas. O parque é bem grande e você também pode explorar outras áreas, confira no site oficial. A distância de El Calafate até o parque é de aproximadamente 1 hora, 75km. Há possibilidade de caminhar pelo gelo do glacial. Não fizemos esse trekking por falta de verba, mas com certeza deve ser um passeio incrível!

Ah também fizemos amizade com uma linda rapozinha (zorra) que fez pose para as nossa fotos. Fofíssima não é?  Depois de conhecer tudo Glacial e retornamos e tivemos a grata surpresa de encontrar uma linda raposinha que nos deixou fotografá-la.

A “tal fila” – Início de nossos problemas

Regressamos para El Calafate na intenção de já pegar a estrada para o nosso próximo destino. Chegando lá descobrimos a razão da “tal enorme fila”: Não havia combustível na cidade! Todos estavam aguardando o caminhão tanque que chegaria às 16h. Não tínhamos condição de ir a lugar nenhum mais, o tanque estava seco. Então colocamos no nosso carro na fila. Contei 120 veículos na nossa frente. Até o combustível chegar e todas as pessoas daquela extensa fila abastecerem, ficaria tarde e  não seria mais possível que seguirmos viagem  até a cidade de Perito Moreno (meio do caminho até Bariloche).

Então entrei em contato com hotel e cancelei nossa reserva daquela noite.  Esse foi o único hotel  que não reservamos pelo hotels.com, booking.com ou Airbnb.  Esse eu fiz diretamente com  a recepção do hotel via telefone, enquanto ainda estava no Brasil.  Eu não havia feito o pagamento ainda, então foi fácil desmarcar.  Entramos rapidamente na internet pelo celular e já reservamos  um hotel  para passar outra noite em ao Calafate.

O caso do almoço – Segundo perrengue

Eu estava morrendo de fome então avisamos ao carro de trás da fila que iríamos dar uma saidinha e fomos almoçar. Escolhemos um restaurante self-service que com certeza não foi uma boa escolha. Na hora a comida até nos pareceu boa, mas depois foi só problema.

Voltamos para o carro, ficamos na fila mais um pouco e conseguimos abastecer. Enchemos nosso tanque e mais um galão de 20 litros de reserva, pois até a chegada em Perito Moreno não haveria nenhum posto num raio de aproximadamente 500 quilômetros!!! O uso desses galões não é legalmente permitido, mas simplesmente todo mundo usa! Ficam em cima das caminhonetes e jipes ou dentro dos carros. Não tem como viajar sem, pois o risco de ficar sem um posto é muito grande. O nosso galão foi comprado por AR$ 650 pesos na cidade de Ushuaia.

Até a água!

Depois de abastecer fomos ao mercado reabastecer o estoque de comida, já que no outro dia de viagem não iríamos ter onde comer.  Íamos pegar o pior trecho da rota 40 (que o Thiago vai explicar em outro post). Eu não sei qual era o problema da cidade naquele final de semana, mas com certeza o turismo estava devastando o comércio. Não achamos nem garrafa de água pra comprar!!!! A sorte foi que ainda haviam alguns galões grandes e acabamos arrumando espaço pra eles no carro. Sempre cabe mais coisa, né! Acredito que pela falta de combustível muitos turistas ficaram presos na cidade, o que os faz gastar. Só espero que a falta de combustível não tenha sido proposital com esse intuito!

Continuação do perrengue do almoço

Já era o entardecer e eu ainda queria bater perna pelas lojinhas do centro de Calafate (coisa de mulher, rsrsrsr). Precisava comprar uma geleia de calafate para experimentar a famosa frutinha roxa que dá nome à cidade. In natura já tínhamos comido em Torres del Paine. E tão fomos para nosso novo hotel, fizemos o check-in e resolvi descansar um pouco antes de me arrumar para sair. O Thiago aproveitou para dar uma ajeitada no porta-mala do carro que estava uma bagunça.

Quando ele voltou me acordou para tomarmos um banho e saírmos, mas eu estava me sentindo muito cansada (mais que o normal) e disse que não queria mais sair nem para jantar. Thiago se propôs a fazer uma sopinha, no quarto mesmo, com o fogareiro que usamos no camping. Mas nem isso eu quis comer.  Minutos depois de tentar comer a sopa vomitei todo o almoço (azar na escolha do self-service) e depois disso foi passando mal a noite toda revezando entre vomito e diarreia. A comida do self-service me fez muito mal.

Na manhã do dia seguinte saímos cedo, havia muita estrada pela frente já que tiramos do roteiro a parada de descanso em Perito Moreno. Agora era tocar direto pra Bariloche: 1400km em um único dia, com direito a pista sem asfalto e eu doente 🙁

Confira essa aventura da rota 40 no próximo post.

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